Várzea Grande -MT-Brasil

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Na peneira parou


Buscou de todas as maneiras passar, mas não passou. Mas uma vez teria que retornar a rotina, acordar cedo por volta das cinco da manhã,  o que lhe parecia tortura, tinha des-gosto do cedo. Ia se arrastando para o banheiro em forma molusca e mole. Escovar os dentes tinha se tornado movimento automático do parasimpático. Dormia em pé no ritual matinal. Após o banho enfim acordar e perceber que a fome chegara.
A vida estava cada vez mais presa a esta rotina sabática. Para ao final do ano prestar o exame vestibular, e revolver as opressões. E chegar ao outro lado da malha fina e seletiva dos poucos que adentram a Universidade Pública.
A exclusão assolava a vida, os dias, as semanas, os minutos,  ficava mais sufocante. O medo de ficar comentado na família, como aquele que tentou quatro vezes vestibular na Federal e não conseguiu. Criou seus monstros particulares que tomaram corpo e forma nos seus pensamentos, na sua imaginação e nas atitudes mais banais do seu cotidiano. Começar a estudar era o clique de disparo de monstros avassaladores que comprometiam sua auto-estima. Eles e Elas assopravam em seus ouvidos, monstruosidades, tolices e fúrias que o deixaram muitas vezes paralisado.
A vida parada ficou, se perdeu nos medos, obstáculos, paranoias e um muro foi erguido sem janelas e portas. Preciso foi com ajuda DES-paralisar e DES-construir o Muro.



Minha Vó dizia...




[...] Que bom bolo de arroz se faz com farinha peneirada, depois de moído o arroz. Peneira feita de palha babaçu trançada por mãos hábeis, que a tempos aprendeu o oficio de trançar não apenas os fios da peneira como os da vida. 
Ela dizia que assim como a peneira é formada por fios que formam uma rede, a VIDA também é uma e faz parte de outras mais enredadas. 
Eu ficava a escutar e imaginar minha vida através da peneira. Os pontos de encontro dos fios no trançado, era para mim o começo de histórias que se interligavam a outras, a formar o mundo de teias.
O mundo era feito de linhas trançadas abertas, em que nos prendiam a terra em que nascemos, as nossas origens. Contudo, nos era permitido pular de nó em nó, para compreender a amplitude da rede, e conhecer o mundo em questão. 

APRENDIZ DE ESCRITORA!!!

No começo das palavras e sem rótulos de gênero e estilo literário!!!

Resolvi finalmente me aventurar pelo "mundo fantástico" ao meu ver, da literatura. E isso não veio do nada. Já realizei quatro oficinas de criação literária no Sesc Arsenal na minha cidade (Cuiabá-MT), a primeira para compreender os livros, a perceber tal objeto como objeto que vai além das palavras escritas em si, mas a forma dos livros que nos inscreve já leitura, conheci livros extraordinários que o formato trazia a história contada. Esta oficina foi realizada pela mediação do escritor Tino Freitas de Brasilia-DF. Fiquei a apaixonada pelo livro "Tinha uma velhinha que engoliu uma mosca- Jeremy Holmes, Amarilys. O formato do livro é inovador, foi um dos livros que me encantou na Oficina. Não vou detalhar todas as oficinas que fiz, mas a última oficina realçou o desejo, sonho, esperanças de escrever, sem pretensão de virar celebridade, mas o desejo de poder escrever, escrever com poesia, com criatividade, com imaginação e com emoção. A oficina com o escritor Marcelino Freire, foi bastante promissora, consegui escrever três textos sobre uma palavra dada por mim pelo Marcelino, assim trago os textos, as minhas escrivaturas destas oficinas. Resolvi começar.... 
Abaixo imagem do livro mencionado, que me aguçou a imaginação e re-forço, anúncio do Blog. :) 

Olá pessoal vejam esta Propaganda de um dos Mercados mais popular de Portugal!!!

https://www.youtube.com/watch?v=1Z6H-MlsbkY&noredirect=1

Nas peneiras a cidade começou!!

Desde que os bandeirantes Paulistas chegaram a procura de minérios preciosos e índios para escravizar. A intenção já era peneirar as águas e as terras, para desvendar riquezas para além mar. 

Peneirou-se a água e terra, na busca de poder ali se fixar. Encontrou riquezas minerais, vegetais e animais. Quis logo pegar!

Uma seleção começou para demonstrar quem mandava e era superior, para ali ficar! Foi sabido que Branco podia explorar, matar, violentar! Indios e negros tinham que se subordinar. Porém, uma subordinação que planejava atos de resistencia ou resiliência.

A terra teria que exalar liberdade, para chamar os ancestrais na Luta! Da peneira que cobiçou os olhos, a terra invadida se fez o inicio de Cuiabá. 

segunda-feira, 10 de março de 2014

Leptospirose tem alto custo social

Publicada em 
Analisar o custo social dos casos de leptospirose ocorridos em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, em decorrência das chuvas extremas de janeiro de 2011. Esse foi o objetivo da dissertação do aluno do mestrado em Saúde Pública e Meio Ambiente da ENSP, Carlos Alexandre Rodrigues Pereira, cuja conclusão foi que o custo pode ter variado, no mínimo, entre R$63.348,57 e R$269.190,27. "Isso significa que 52% do custo total ao Sistema de Saúde e 35% da perda de produtividade total da sociedade ocorreram entre os 177 casos que tiveram confirmação diagnóstica", assegurou. A orientação do trabalho ficou a cargo da pesquisadora do IOC/Fiocruz Martha Macedo de Lima Barata.
 
A leptospirose é uma doença infecciosa febril que ocorre em países tropicais como o Brasil, país onde sua notificação é compulsória. Trata-se de uma zoonose de grande importância devido aos impactos sociais e econômicos negativos, relacionados a altas taxas de absenteísmos, elevado custo hospitalar, alta incidência e letalidade. Contudo, explica Pereira, o seu real impacto econômico, ou seja, seu custo social, ainda é pouco estudado no Brasil, onde a última avaliação realizada se referiu aos casos que evoluíram a óbito em 2007. 
 
De acordo com o aluno, na avaliação realizada para o Brasil, verifica-se que os 3.492 casos de leptospirose ocorridos em 2008 geraram ao Sistema de Saúde um custo estimado de R$1.542.526,92. “Com base no que foi estimado sobre os custos atribuídos à sociedade, pode-se dizer, que nesse mesmo ano no país, foram perdidos 10.664,90 anos potenciais de vida devido à leptospirose, além de uma perda de renda da ordem de R$27.744.133,33 ocorrida entre os casos economicamente ativos que evoluíram a óbito.” 
 
No intuito de realizar uma avaliação mais abrangente, utilizando os dados secundários de acesso público disponíveis, a pesquisa analisou os casos ocorridos em 2008 no Brasil, buscando considerar não só os gastos do sistema de saúde com o tratamento da doença, mas também as parcelas atribuídas à sociedade, para que as estimativas encontradas se aproximassem do custo real da doença.
 
Uma vez que a leptospirose é frequentemente associada à ocorrência de enchentes e inundações, informou Pereira, foi necessário estudar a ocorrência dessa doença especificamente na ocasião de chuvas extremas, para entender melhor como esse evento pode facilitar a ocorrência de casos e aumentar, consequentemente, o custo social da doença. "Para isso, foi feito o estudo dos casos de leptospirose ocorridos em 2011 em Nova Friburgo, que foram atribuídos ao desastre de janeiro do mesmo ano, e em outros municípios da região serrana do Estado do Rio."


 
Segundo Pereira, as estimativas apresentadas pela pesquisa evidenciam a necessidade de desenvolver meios capazes de diminuir, além dos custos, a incidência, a gravidade e a letalidade da leptospirose. "Para que isso ocorra, é preciso mais que os esforços isolados do setor de saúde: é fundamental a gestão integrada entre os diversos setores da gestão pública, uma vez que não são apenas as medidas específicas em saúde que podem levar a alterações no comportamento da doença."
 
Os fatores sociais, ambientais, econômicos e políticos relacionados à ocorrência de leptospirose, acrescenta o aluno, necessitam ser mais estudados, esclarecidos e geridos, de modo a reduzir a magnitude do impacto social e econômico da doença para o país.
 
Carlos Alexandre Rodrigues Pereira possui especialização em Libras, pela Faculdades Integradas de Jacarepaguá (2012) e graduação em Engenharia Ambiental pela Universidade de Uberaba (2011). Trabalhou na Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG) e foi professor em Cursos Técnicos no Centro Educacional de Uberaba. 

Fonte: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/34777

quarta-feira, 2 de maio de 2012

HANSENIASE TEM CURA! E PRÉ-CONCEITO TAMBÉM!


sábado, 28 de maio de 2011

De volta ao Brasil

 










Foto: Elizete Santos, 2010


Já tenho 3 meses que voltei ao Brasil, e decidi que vou continuar com este Blog, agora a falar do Brasil, da minha cidade Várzea Grande no Estado de Mato Grosso. Primeiramente o nome continua este, acredito que a vida é uma constante viagem, seja onde estivermos, seja pelo Planeta Terra, seja dentro de nós mesmos. E agora mostra a realidade da cidade de Várzea Grande e Cuiabá a capital de Mato Grosso, realidades que se interligam, em outras cidades do Brasil. Pretendo trabalhar com a "denuncia" do cotidiano Várzea Grandense, realidades tão inóspitas, contraditórias e renovadoras... Assim tentarei ser mais assídua no Blog. E trazer noticias, movimentos culturais e sociais da cidade. Com colaboração de amigos, colegas. Vamos lá, Carpem Diem!!!!!!!!!!!!!!!!

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Canção Excentrica - Cecilia Meireles











Foto: Elizete Santos, Paris/França, 2011



 Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
protejo-me num abraço
e gero uma despedida.

Se volto sobre meu passo,
é distância perdida.

Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.

Amor..... na procura











 Foto: Jone Castilho, 2010



"O Amor...

É difícil para os indecisos.
É assustador para os medrosos.
Avassalador para os apaixonados!
Mas, os vencedores no amor são os
fortes.
Os que sabem o que querem e querem o que têm!
Sonhar um sonho a dois,
e nunca desistir da busca de ser feliz,
é para poucos!!"

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Carlos Drummond de Andrade Confissões



Carlos Durmmond de Andrade, grande poeta Brasileiro, que fez aniversário ontem risos dia 31 de outubro, fazemos aniversário praticamente juntos, meu é dia 30 de outubro, mas vai um video sobre a vida deste grande escritor e poeta....

domingo, 31 de outubro de 2010

Ferreira Gullar um poeta e Retratos

"a arte existe porque a vida não basta" (ferreira gullar)

Estava na aula de História de Portugal, um pouco entendiada a olhar para o desânimo dos meus colegas, quando um colega português, chega e me pergunta: Tu conheces o Ferreira Gullar, poeta brasileiro? Eu respondo com um sorriso convencido, claro conheço, adoro o poema Traduzir-se deste poeta, e empolgo em descrever outros poetas/literários brasileiros de renomes, e ele pede-me para ler um poema do Ferreira Gullar escrito em seu caderno, começo a ler e digo lhe que não entendo a letra, ele ainda empolgado em demonstrar interesse por Ferreira Gullar começa a ler o poema chamado " A vida bate", e eu não conhecia este poema, fui sincera a dizê-lo e eis que vem o convite, para ir ao recital de poemas do Ferreira Gullar, e a apresentação de um video em homenagem a ele. Descobri que Ferreira Gullar ficou conhecido aqui em Portugal pois ganhou o prêmio Camões deste ano, então virou febre dos literatos portugueses. Aqui vai o poema tão abordado no recital, com vozes portuguesas e brasileiras:

A vida bate


Não se trata do poema e sim do homem
e sua vida
- a mentida, a ferida, a consentida
vida já ganha e já perdida e ganha
outra vez.
Não se trata do poema e sim da fome
de vida,
         o sôfrego pulsar entre constelações
e embrulhos, entre engulhos.
     Alguns viajam, vão
a Nova York, a Santiago
do Chile. Outros ficam
mesmo na Rua da Alfândega, detrás
de balcões e de guichês.
                                       Todos te buscam, facho
de vida, escuro e claro,
        que é mais que a água na grama
        que o banho no mar, que o beijo
        na boca, mais
        que a paixão na cama.
Todos te buscam e só alguns te acham. Alguns
         te acham e te perdem.
         Outros te acham e não te reconhecem
e há os que se perdem por te achar,
                                                               ó desatino
ó verdade, ó fome
                             de vida! 
        O amor é difícil
mas pode luzir em qualquer ponto da cidade.
        E estamos na cidade
sob as nuvens e entre as águas azuis.
        A cidade. Vista do alto
ela é fabril e imaginária, se entrega inteira
       como se estivesse pronta.
       Vista do alto,
com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade
é o refúgio do homem, pertence a todos e a ninguém.
       Mas vista
       de perto,
revela o seu túrbido presente, sua
      carnadura de pânico: as
      pessoas que vão e vêm
      que entram e saem, que passam
sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro
      sangue urbano
      movido a juros.
São pessoas que passam sem falar
       e estão cheias de vozes
       e ruínas . És Antônio?
És Francisco? És Mariana?
       Onde escondeste o verde
clarão dos dias? Onde
       escondeste a vida
que em teu olhar se apaga mal se acende?
         E passamos
carregados de flores sufocadas.
         Mas, dentro, no coração,
         eu sei,
                   a vida bate. Subterraneamente,
a vida bate.

        Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi,
        sob as penas da lei,
        em teu pulso,
                              a vida bate.
E é essa clandestina esperança
misturada ao sal do mar
         que me sustenta
         esta tarde
debruçado à janela de meu quarto em Ipanema
         na América Latina.

Deixo o site em que pesquisei sobre Ferreira Gullar, site oficial do Poeta, com poemas, cronicas, imagens e muito bom gosto vejam: 
http://literal.terra.com.br/ferreira_gullar/porelemesmo/a_vida_bate.shtml?porelemesmo

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Corrine Baley Rae

Tinha que postar este video dessa cantora que me deixou surpresa com tamanha voz, talento e uma singularidade diria criativa que não percebi em outras cantoras. Gosto de muitas músicas suas, depois que ouvi já quase todas. Deixo esta com vocês: Puts your records on, bom som!!!!!
Carpe Diem!!!!

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Carta Aberta da REJUMA aos Candidatos a cargos de Gestão administrativa Politica 2010




Prezados candidatos e prezadas candidatas das eleições de 2010,


Fazemos parte da Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA,
que se caracteriza como uma rede social independente, autônoma, auto-gestionada,
horizontalizada e apartidária que envolve mais de 1000 jovens dedicados a ações
socioambientais em todos os estados brasileiros. Desde a sua criação, em 2003, a
REJUMA - através de seus integrantes e dos Coletivos Jovens de Meio Ambiente que
compõem a nossa rede - propõe, fomenta e acompanha políticas públicas relacionadas a
Juventude e Meio Ambiente em âmbito nacional e local, estando presente em diversas
instâncias e colegiados deliberativos e consultivos.
Esta carta foi construída coletivamente no intuito de tornar pública nossa opinião a
respeito do atual momento pelo qual passa nosso país. Bem como das questões que
consideramos relevantes para os futuros governantes assumirem perante o povo
brasileiro e o conjunto da sociedade brasileira reivindicar e lutar.
Consideramos que não só o Brasil, mas todo o Planeta Terra enfrenta uma crise
civilizatória sem precedentes. Entendemos que o atual modelo de desenvolvimento
econômico capitalista é o grande responsável por provocar esta grave crise, que se
percebe nas dimensões ambiental, social, cultural, ecológica e política. O que acarreta o
quadro de desigualdades sociais, de degradação dos ecossistemas e a violenta cultura de
massa. O papel assumido pelos Estados em todo o mundo, em especial no nosso país,
servem como retratos dessa crise.
Para que possamos transformar esse quadro e caminharmos rumo a um país que tenha
como pilares a justiça social, a sustentabilidade ecológica, a força da cultura popular e
tradicional e a democracia política, queremos fazer algumas considerações relacionadas
aos seguintes temas:


Política externa


Considerando que o ambiente que nos une é um só, é necessário reforçar nossa luta
junto aos demais países e povos latino-americanos e africanos. As fronteiras políticas ou
geográficas que nos separam devem ser superadas para que a solidariedade entre os
povos esteja em primeiro plano. Muitos países da América Latina e da África hoje se
rebelam contra as relações colonialistas mantidas sobre os países considerados de
“terceiro mundo” pelos países e grupos economicamente mais poderosos. Cabe ao
governo brasileiro e sua população pregar e defender a soberania e autodeterminação
dos países e dos povos que hoje buscam a ruptura com esse modelo de sociedade que
se mostrou injusto e insustentável nos aspectos social e ambiental.
Democratização dos meios de comunicação
Compreendemos que a comunicação social possui função central na sociedade capitalista
e sustenta tanto o pólo ideológico quanto o pólo econômico dessa sociedade. Estamos
cientes que a comunicação de massa servida pelas empresas de comunicação que
dominam o mercado de mídia impressa e audiovisual não corresponde aos atuais anseios
por informação qualificada e democrática, não serve ao interesse público e não alimenta a
capacidade de crítica e reflexão da população brasileira.
Os poucos grupos empresariais que mantêm a posse dos meios de comunicação
selecionam o que deve vir a público de acordo com seus interesses comerciais. Acabam,
portanto, mantendo na ordem do dia a agenda neoliberal, pautando a opinião pública
através de valores individualistas e consumistas.
Todos somos comunicadores por natureza e queremos exercer essa potencialidade
determinando, em cada localidade e momento, o que queremos produzir e receber de
informação. Desse modo, queremos dispor de direitos que permitam esta
democratização, por exemplo, a partir da universalização da banda larga por todos os
municípios brasileiros de forma popular e gratuita e como consta nas Leis 9.612/98 e
8.977/95 que regulam respectivamente a radiodifusão de baixa potência e a criação de
canais de comunicação comunitários, universitários, legislativos e educativo-culturais.
Para avançar na conquista destes direitos sociais e inverter o cenário midiático atual os
governantes devem criar e fazer cumprir leis que incentivem e facilitem o acesso da
população à produção de comunicação, bem como a visibilidade necessária a essas
produções. Nesse sentido, acreditamos que processos relacionados à educomunicação
são importantes de serem estimulados, pois ao unir os campos da comunicação e da
educação pode-se pressupor a emissão e recepção de informações com maior
posicionamento crítico quanto aos problemas socioambientais.
Para que a democratização dos meios de comunicação possa virar realidade, apontando
para as demandas dos movimentos sociais populares, acreditamos ser vital que o
planejamento e veiculação da comunicação no país possam ser compartilhados entre o
Estado e a sociedade civil. Por isso, apoiamos a criação de Conselhos de Comunicação
que regulamentem, acompanhem e fiscalizem os meios de comunicação e as
informações que são transmitidas à população, estimulando a pluralidade de expressão e
evitando o monopólio e o privilégio de certos setores, grupos e empresas.


Mudanças Ambientais Globais


Cada vez se tornam mais visíveis as mudanças ambientais que se processam no nível
local e global. Apesar do Planeta Terra estar sempre se transformando, é notável que
grande parte das mudanças recentemente observadas refletem o modelo produtivo
instaurado pela sociedade humana. O desmatamento e a desertificação de grandes
áreas, bem como a poluição do ar, dos solos e das águas traduzem aos nossos olhos o
padrão de acumulação e desenvolvimento adotado pelos países ricos e submetido a força
nos países periféricos. Enquanto os países e grupos com maior poder econômico buscam
o consentimento e o consenso da maior parte da população da Terra para perpetuarem o
caminho por eles traçado, vemos os recursos naturais se exaurindo e os ecossistemas se
degenerando. Não só a biodiversidade está ameaçada, como a própria população
humana. As populações mais pobres e em especial os jovens estão entre os mais
vulneráveis a todas essas mudanças, ao mesmo tempo em que possuem um papel
fundamental para a superação da crise ambiental instaurada. Por isso, nós jovens,
representantes da REJUMA, entendemos que é preciso exigir dos governos políticas
públicas que possam interromper os impactos ambientais já em processo e os que
estarão por vir. É necessário repensar o modo de organização social e econômica que
põe em risco os agrupamentos humanos. E caminhar para um novo projeto societário no
qual a sociedade humana possa se desenvolver sem desmatar ou colocar em risco outras
espécies e biomas. Para isso, o Estado brasileiro deve enfrentar frontalmente essa
problemática, fomentando a criação e a implementação de novos processos de Agenda
21 Local e institucionalizando as propostas advindas de agendas coletivas e públicas que
sejam capazes de forjar uma efetiva mudança política, econômica e cultural.
Políticas Nacionais de Educação Ambiental e de Meio Ambiente
Os governos não vêm garantindo os recursos financeiros e humanos necessários para a
continuidade e o desenvolvimento da Política Nacional de Educação Ambiental - PNEA e
da Política Nacional de Meio Ambiente - PNMA. A educação ambiental passa por um
momento crítico e deve ser institucionalizada e estruturada pelo governo federal nos
Ministérios da Educação e do Meio Ambiente, bem como pelos governos estaduais e
municipais em suas secretarias de educação e de meio ambiente. Reiteramos que é
papel do Estado financiar e implementar as políticas públicas de educação ambiental
contando com os movimentos sociais para seu efetivo enraizamento e eficácia. Os
educadores ambientais e as comunidades não podem ficar reféns de projetos de
educação ambiental ligados a compensação ambiental que em sua maioria servem
apenas para legitimar os danos sociais e ambientais advindos dos grandes projetos ditos
de “desenvolvimento”.
Os empreendimentos e os processos de licenciamento ambiental que estão sendo
desenvolvidos não tem o controle social exigido pela legislação e vem ocasionando a
marginalização de comunidades e enormes impactos ambientais. A sociedade civil e o
próprio poder público costumam ficar reféns do poderio econômico que possuem tais
projetos. Com isso, as comunidades impactadas não costumam ser ouvidas e não têm
meios de intervir nos rumos dos projetos. O desmonte do IBAMA e dos órgãos estaduais
e municipais de meio ambiente que vem sendo operado pelo governo aprofunda ainda
mais essa problemática. Repudiamos o ataque que vem sendo feito pela bancada
ruralista e pelos desenvolvimentistas ao código florestal e a legislação ambiental
brasileira. Exigimos que sejam mantidas as Reservas Legais, a soberania e a
sustentabilidade dos biomas brasileiros, livres de todas as formas de exploração
predatória.


Institucionalização do Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente


A REJUMA acredita que é necessário investir em políticas públicas de juventude e meio
ambiente com o objetivo de formar jovens lideranças no processo de transformação
socioambiental, construção de sociedades sustentáveis e desenvolvimento da cidadania
ambiental. Por isso, sabemos que é urgente a Institucionalização do Programa Nacional
de Juventude e Meio Ambiente (PNJMA) como estratégia intergeracional para
potencializar a formação, a participação e a ação das juventudes brasileiras como atores
estratégicos no enfrentamento da crise socioambiental global. O PNJMA visa fortalecer a
articulação e o diálogo entre ministérios e secretarias nacionais, com vistas a integrar
suas concepções, atividades, recursos financeiros e humanos para ações na área de
juventude e meio ambiente, estimulando e criando oportunidades de participação dos
jovens nas instâncias, programas e ações voltados às questões socioambientais. Através
de subsídios técnicos e financeiros, a institucionalização do PNJMA deve fortalecer as
políticas e ações municipais e estaduais nessa área e estimular que as redes e coletivos
pelo meio ambiente e sustentabilidade possam pautar, discutir e contribuir para o
desenvolvimento das políticas públicas relacionadas a essas temáticas.
O Programa Nacional de Juventude e Meio Ambiente deve dar conta também do desafio
de articular o campo da educação ao mundo do trabalho. A diminuição do emprego com
carteira assinada e o desemprego são fenômenos mundiais que atingem a juventude
brasileira. Entretanto, mesmo diante da dificuldade de inserção dos jovens no mercado de
trabalho, acreditamos que não basta o jovem estar empregado em qualquer emprego. Ele
deve estar bem qualificado para pleitear um trabalho bem remunerado, que lhe dê
condições de uma vida digna. Nesse sentido, reforçamos a necessidade de aumento de
recursos para a educação básica e superior, que vá ao encontro da plena formação dos
jovens brasileiros e articule essa educação às propostas e ações desenvolvidas pelas
redes de economia solidária. Propiciar a formação dos jovens para o mundo do trabalho a
partir de princípios, valores e conteúdos que contemplem a sustentabilidade
socioambiental e a democratização dos meios produtivos é essencial para que a nova
geração tenha condições de garantir trabalho numa perspectiva solidária.
Situação Agrária
Muito nos preocupa a situação agrária brasileira. Em virtude da incorporação do modelo
do agronegócio por todo território nacional, mesmo com suas terras férteis e produtivas, o
Brasil se transformou no maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Entre os tantos
malefícios trazidos pelo agronegócio para os trabalhadores e para a terra, podemos citar:
- o aumento do desmatamento e das queimadas;
- a poluição dos lençóis freáticos e de corpos hídricos;
- a perda da biodiversidade, da fertilidade do solo e sua desertificação;
- o uso indiscriminado de agrotóxicos, que envenena o trabalhador e os alimentos que nos
chegam à mesa;
- a freqüente ocorrência de trabalho escravo, exploração e empobrecimento do
trabalhador rural;
- a permanência dos latifúndios, das monoculturas, da concentração de terra e de renda;
- expulsão dos trabalhadores do campo e seu êxodo para as cidades;
- crescimento desordenado das cidades e favelização;
- a internacionalização das terras brasileiras, com a perda de nossa soberania territorial;
- o fortalecimento das empresas multinacionais e o aumento na venda e uso das
sementes transgênicas;
- o enfraquecimento da agricultura familiar e orgânica, com danos a soberania alimentar
dos brasileiros.
A REJUMA acredita que é preciso aprovar a lei que modifica a Lei de Biossegurança,
estabelecendo a obrigatoriedade de colocação de informações nos rótulos e embalagens
de alimento de modo a informar ao consumidor a natureza transgênica dos alimentos,
contribuindo para soberania alimentar do nosso país.
Percebemos que no início do Século XXI o Brasil retorna seu passado de país exportador
de bens de baixo valor e engana a si mesmo quando afirma que está produzindo energias
limpas e renováveis a partir da cana de açúcar e de outros biocombustíveis. Afinal, que
energia limpa ou renovável é essa produzida através de tão forte degradação ambiental
de sua terra e exploração social de sua gente?


Conclusão

Concluímos que esse sistema que explora a natureza é o mesmo que explora os seres
humanos. Degradação ambiental e exploração social são consequências de um modelo
de desenvolvimento que coloca o interesse do capital acima do interesse da vida, das
pessoas, da natureza. É responsabilidade do Estado brasileiro e dos cidadãos
comprometidos com o bem da humanidade e de todos os seres vivos lutar pela superação
desse sistema.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Creative Commons

Olá Pessoal resolvi licenciar alguns textos meus, que já coloquei e vou colocar no Blog, pois quero experimentar a Licença Creative Commons, que permite que as pessoas copiem, enviem a amigos contudo não permite comercialização e modificação dos textos, e terá que atribuir crédito ao autor(a) original.

 Licença Creative Commons
This work is licensed under a Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivs License.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Poema MEU, TEU, NOSSO?

"Amo o finito das coisas
não o eterno...
Ele não existe
não para mim
para nós humanos
tudo é efemero
como a propria vida é...
Humanos seres
Acaba tudo? ou tudo acaba?
resposta a que ninguem responda e que tanto duvide
Para mim tanto faz (começo, meio, fim...)
tenho medo da ordem cálida e passiva
Quando é meu começo?
Quando é meu meio?
Quando meu fim?
Fico a tentar responder
perguntas vazias, complexas e cheias
Na procura do esperado
Espaço
para desenhar minha vida
E nesse caminho sem saida
me perco nos labirintos
da tão sonhada harmonia

Elizete Santos
 
Foto: Elizete Santos, Portugal 2010.

Viagens pelo mundo e por mim...


"trago dentro do meu coração, como um cofre que se não pode fechar de cheio, todos os lugares onde estive, todos os portos a que cheguei..." Fernando Pessoa

segunda-feira, 26 de julho de 2010